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Imagem: willowtreeapps.com

Já alguma vez acordaram, abriram os olhos e de repente a vossa única vontade é voltar a dormir porque sentem que não pertencem a lado nenhum? Já sentiram um medo quase ilógico de que os vossos amigos e colegas vão descobrir que são uma fraude e que tudo o que conseguiram pessoal e profissionalmente não foi mais do que sorte e que na verdade vocês não o mereciam? Já sentiram que têm que trabalhar até à exaustão nas vossas relações porque na verdade tiveram sorte em conseguir estar com a pessoa que está convosco e têm pavor que um dia sejam eles a acordar e a perceber que na verdade vocês não servem para eles?

Se já, estão em boa companhia. Uma estimativa de 70% da população mundial já sofreu com estes sentimentos em algum momento da sua vida. Afecta todos os tipos de pessoas em várias fases da vida, desde homens, mulheres, operários, estudantes, atores, filósofos e até executivos.

O que é o Sindrome do Impostor?

O síndrome do impostor caracteriza-se pela ideia constante de que sucedemos na vida apenas por sorte e não pelas nossas qualificações ou talento. Pode revelar-se como uma sensação constante de que somos uma fraude vivendo perturbados pelo medo de que um dia vão descobrir que nada do que conseguimos foi por causa do nosso trabalho, do nosso talento, da nossa dedicação a alguma coisa mas apenas do acaso, chegando muitas vezes a achar que foi um erro de julgamento das outras pessoas (por exemplo quando conseguimos um emprego melhor). 

Não é uma doença e também não está ligado necessariamente a quadros depressivos ou de ansiedade nem a problemas de auto-estima no entanto consegue ser incapacitante na medida em que a certos níveis, pessoas que sofrem deste síndrome chegam elas próprias a boicotar-se por pensar que simplesmente não vale a pena, pois a sua empresa um dia vai saber que não merecemos aquele trabalho e vai despedir-nos ou aquela pessoa com quem temos uma relação vai inevitavelmente acabar por terminar a nossa relação porque, bem, eles são bons demais para nós.

Estes sentimentos não estão restritos a pessoas com mais ou menos capacidades, qualquer individuo é susceptível ao fenómeno da ignorância pluralista onde cada um deles dúvida das suas capacidades em privado mas acredita que estão sozinhos porque mais ninguém expressa as suas próprias dúvidas e receios e entrar numa espiral de sentimentos de que não merecem o que conseguiram na vida quando comparadas com outras pessoas.

E, não há limite de sucessos e realizações que consigam fazer descansar estes sentimentos.

Como não há uma forma fácil de saber o quanto os outros passam por dificuldades, o quão intensamente eles têm que trabalhar, o quão difícil eles acham certas tarefas, o quanto também eles duvidam de si próprios não há uma forma fácil de não nos deixarmos apoderar pelos sentimentos de somos menos capazes do que qualquer pessoa à nossa volta.

O síndrome do impostor, em particular o sentimento constante de não pertencermos a lugar algum porque não fomos merecedor dos sucessos que conseguimos é um estado constante de inquietude que quando levado ao extremo pode fazer-nos perder a oportunidade de ser melhor, de arriscar e dar o salto para algo onde, por muito que não nos sintamos confortáveis é o nosso lugar por direito, porque trabalhamos, lutamos, fizemos tudo o que estava ao nosso alcance por aquele trabalho, aquela pessoa, e nada, nunca nos deveria tirar o prazer de conseguir aproveitá-lo e sentirmos o verdadeiro estado de realização quando lá chegamos. 

E tudo isto acontece porquê? Porque primeiro, não partilhamos: a mera ideia de passarmos como vulneráveis para alguém é a primeira consciencialização de falhanço. O que não poderia estar mais errado. Toda a relação seja ela profissional ou pessoal assenta na base de que temos noção exata das nossas fraquezas de forma a que possamos de forma aberta e transparente fazer tudo para as atacar e desta forma evoluirmos para pessoas melhores. E segundo: assumimos sempre que as outras pessoas não passam por dificuldades não têm defeitos e nunca em circunstância alguma passam pelo tipo de problemas e inseguranças que nós. Pois então, olhemos para a frases do filósofo Michel de Montaigne: “Kings and philosophers shit—and so do ladies.”, o que literalmente quer dizer “Reis e filósofos cagam - assim como as senhoras”. 

E no fim tudo isto é que importa, ou seja, quando sentirem que todos à vossa volta são perfeitos e que as coisas acontecem de forma fácil para toda a gente menos para vocês, pensem na citação acima e olhem para as situações de um prisma diferente, porque a única certeza que podemos ter é que neste jogo da vida, não estamos sozinhos nas coisas boas, nem, e podem bem apostar, nas coisas más.

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